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Acidentes com animais peçonhentos no verão

A médica veterinária Marina Toniolo, coordenadora do Departamento de Vigilância em Saúde. Foto: Carlos Borges

Vigilância em Saúde alerta sobre os acidentes com animais peçonhentos no verão

Nos meses mais quentes e chuvosos – primavera e verão – há um aumento no número de acidentes por animais peçonhentos em relação aos demais meses do ano, a médica veterinária Marina Toniolo, coordenadora do Departamento de Vigilância em Saúde fala sobre os cuidados que a população precisa adotar neste período e o que fazer em casos de acidentes.
Nos últimos 10 anos (2006 a 2015) foram registrados mais de 60.000 acidentes com animais peçonhentos (serpentes, aranhas, escorpiões, lagartas) no estado do Rio Grande do Sul. Em 2015, verificou-se um crescimento de 23% em relação a 2014, chegando a 8.280 casos em um único ano. No município de Gramado, em 2018 foram notificados 22 acidentes com animais peçonhentos.

Como tem sido o número de acidentes com animais peçonhentos neste período do ano? Esse é o período em que aumenta o número de acidentes com animais peçonhentos (aranhas, cobras, lagartas, escorpiões) em virtude principalmente do período reprodutivo desses animais que começa a partir da primavera e vai se estendendo ao longo do verão.

Quais os animais mais comuns em nossa região? Aqui na nossa região temos as aranhas: que são a Aranha-marrom (Loxosceles sp) e Aranha armadeira (Phoneutria sp.), ambas têm venenos bem potentes, podem causar acidentes considerados graves. A Aranha-marrom é uma aranha que se esconde embaixo de cobertas, atrás de quadros, no sofá, ela gosta de ficar dentro das casas das pessoas. Ela é pequena, mas tem um veneno bem potente. Pela coloração ela consegue se esconder facilmente dentro de casa, mas ela não é uma aranha agressiva, ela só pica se a pessoa encosta ou aperta ela contra alguma coisa. Já a Aranha armadeira é uma aranha agressiva. Ela é bem maior e já tem uma tendência a atacar a pessoa. Ela se esconde mais em entulhos, lenha, tijolos, e gosta de um ambiente mais rústico.

Além das aranhas, cobras e escorpiões também podem ser encontrados com frequência neste período? Sim. Temos algumas espécies de cobra no Estado: a Jararaca (Bothrops jararaca), a Cruzeira(Bothrops alternatus), a Coral (Micrurus altirostris) e a Cascavel (Crotalus durissus). Essas cobras são comuns à nossa região, só que mais no interior, mesmo assim pode-se encontrar na cidade por causa do desmatamento, principalmente. E elas podem causar acidentes bem graves. Outro animal que pode ser encontrado é a Lagarta taturana (Lonomia obliqua), que fica mais em árvores. Neste caso a atenção que a pessoa tem que ter é principalmente com as crianças porque as vezes vai brincar em volta de árvore, pode se encostar e ela estar no tronco. O veneno dela é extremamente potente. Temos também a questão do escorpião. Aqui no Estado a espécie comum é o Escorpião-preto (Bothriurus bonariensis) , ele causa uma certa lesão, mas não é tao preocupante. O que tem nos preocupado é o aparecimento no Rio Grande do Sul do Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus). Na região da Serra ainda não teve nenhum município que notificou o aparecimento desse escorpião, mas seu aparecimento é questão de tempo em virtude dos carregamentos de frutas, hortaliças, madeiras, etc que chegam constantemente à região das hortênsias. Em outros estados este escorpião já é considerado endêmico.

Quais os cuidados que a população deve adotar para evitar acidentes com esses animais? No caso dos escorpiões, eles podem vir no carregamento de frutas, hortaliças. Então alertamos que as pessoas prestem atenção na manipulação desses vegetais porque eles podem estar escondidos no meio das folhagens. Também recomendamos que se alguém encontrar essa espécie de escorpião em casa, o amarelo, avisar a Vigilância porque ainda não temos nenhum registro.

O que fazer em caso de acidente? Em todos esses casos sempre a orientação é que a pessoa procure um posto de saúde ou a emergência no hospital para atendimento. Lembrando que nunca devemos negligenciar, achar que não é nada grave e não dar importância.

Qual a primeira orientação? A primeira orientação é lavar a ferida com água e sabão, não passar mais nada, principalmente aquelas receitas caseiras. Quando acontecer o acidente, a vítima tem que procurar ficar em repouso. Não sair caminhando, nem correndo, deve pedir auxílio para algum parente e se deslocar para algum posto ou hospital para que médico adote a conduta correta.

Existe algum número para que a pessoa possa ligar em caso de acidente? Sim. Tem o 0800 721 3000, que é o número do Centro de Informação Toxicológica (CIT), que atende em todo Rio Grande do Sul. Tem ainda o aplicativo do CIT que dispõe de informações sobre os principais animais peçonhentos existentes no Estado. Através do aplicativo a pessoa também pode mandar a foto do tipo de lesão sofrida que os técnicos já conseguem passar as primeiras orientações. Aqui no município temos o telefone da Vigilância em Saúde que também pode fornecer orientações, o número é: 3295-7100. O recomendado é que a vítima procure o atendimento até no máximo seis horas depois do ocorrido.

Texto: Bruna Campos
Fotos: Carlos Borges
Arte: Lucas Castilhos

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